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Quem somos?

O momento atual: 2007-2011

Neste momento, tem curso a tentativa de reconstituir um “grupo majoritário” na direção nacional do PT, primeiro em torno de uma aliança CNB/Mensagem, depois em torno de uma aliança CNB/Novos Rumos/PT de Luta e de Massa.

Este momento pode ser dividido nas seguintes fases: a) o PED 2007; b) do PED 2007 ao PED 2009; c) do PED 2009 até hoje.

Vejamos as características de cada fase, no que diz respeito à AE.

No PED de 2007, a Articulação de Esquerda teve o mesmo desempenho eleitoral de 2005, mas com um desempenho político inferior ao de 2005. Isto se deveu, no fundamental, a quatro motivos:

* a saída da Força Socialista e aliados do PT ocorreu após o primeiro turno do PED de 2005. Isto quer dizer que as vagas eleitas com seus votos foram ocupadas por pessoas de sua própria chapa, que haviam decidido permanecer no PT. Mas no PED de 2007, aqueles milhares de votos não existiam mais;

* a mudança da DS, que opta por “virar ao centro”, buscando compor uma nova tendência com egressos do antigo Campo Majoritário. A tática não tem êxito eleitoral: enquanto Raul Pont, representando a DS, havia ficado em segundo lugar em 2005, José Eduardo Cardozo, candidato da Mensagem/DS, termina em terceiro lugar em 2007;

* a recuperação da “Construindo um novo Brasil”, que capitaliza no PED 2007 o êxito do partido na reeleição de 2006, bem como a inflexão à esquerda do segundo mandato de Lula, o que neutralizou parte das críticas da esquerda petista;

* a incapacidade da Articulação de Esquerda de reunir, em uma só chapa, o restante das tendências de esquerda. Isto deveu-se, em parte, a posturas sectárias de setores que em 2005 haviam integrado a chapa de Plínio e que não aceitaram compor uma chapa encabeçada pela AE. Mas se deveu, também, a erros cometidos pela própria AE.

Apesar de não ter obtido êxito eleitoral, a tática da Mensagem se materializou num “acordo de direção” com a chapa “Construindo um Novo Brasil”. Graças a isto, Cardozo, apesar de ter encabeçado a chapa que ficou em terceiro lugar no PED, torna-se secretário-geral, desbancando Jilmar Tatto, encabeçador da segunda chapa.

A direção eleita pelo PED 2007 teve como tarefas centrais conduzir o partido nas eleições municipais de 2008 e na escolha da candidatura presidencial de 2009.

Os resultados obtidos pela direção nestas duas tarefas são contraditórios.

O PT não obtém uma vitória nas eleições municipais de 2008; e a direção nacional do Partido sofre uma derrota estratégica em Belo Horizonte, onde se impôs uma aliança de fato entre o PT de Pimentel e o PSDB de Aécio Neves.

O PT também não é fator decisivo na escolha da candidatura às eleições presidenciais de 2010, fato que pesará bastante no momento seguinte, em que o partido enquanto tal cumpre papel secundário, apesar de formalmente estar bem representado no comando da campanha.

Mesmo assim, o giro à esquerda do governo Lula, iniciado com o PAC e aprofundado nos anos seguintes, havia neutralizado parte das críticas da esquerda, pois ao romper com o dogma da “estabilização financeira a qualquer custo”, foi capaz de enfrentar com relativo sucesso os efeitos da crise mundial que se abriu em 2008.

Naturalmente, Lula, seu círculo mais próximo, bem como a CNB e outros segmentos do partido, é que capitalizam melhor o fato de o governo estar implementando, ao menos em parte, políticas similares àquelas defendidas, antes, pela esquerda petista.

Isso se refletirá no PED 2009, de três maneiras principais:

- o crescimento do número de votantes, que beneficiou de maneira desproporcional a chapa da CNB, vista como a chapa autenticamente “governista”;

- o reagrupamento, numa única chapa, de quase todos os antigos integrantes do finado campo majoritário.

Vale lembrar que lideranças importantes da CNB argumentaram (em 2007) motivos éticos para negar, a Jilmar Tatto, a secretaria-geral. Um dos efeitos colaterais disto foi a campanha, encabeçada por Tatto e aliados, para antecipar o próximo PED (que poderia ser realizado em 2010 ou 2011, mas acabou antecipado para 2009). Como sabemos, no PED 2009, Tatto, Vaccarezza e outros estariam na mesma chapa que a CNB.

- a redução do interesse e o empobrecimento do debate político no PED.

Isto tudo cria um cenário muito difícil para a Articulação de Esquerda. Mesmo conseguindo montar uma chapa com outros setores da esquerda, reduziu-se nossa participação proporcional no Diretório Nacional. A chapa encabeçada por José Eduardo Dutra vence o PED 2009 já no primeiro turno.

Paradoxalmente, a existência de uma nova maioria não é acompanhada da constituição de uma nova hegemonia.

Por um lado, a escolha de Dilma como sucessora de Lula tornou mais complexa e de certa forma mais confusa a dinâmica interna do poder no PT.

Por outro lado, o PT não conseguiu resolver, nem mesmo debater a contento, alguns obstáculos que, se não forem removidos, tornam inviável a médio prazo a estratégia de “ser governo para ser poder”. Nos referimos, aqui, especialmente à ausência de reforma política, reforma tributária, democratização da comunicação etc.

Ambas as coisas fazem com que no PT de hoje exista uma maioria, mas ainda não exista uma hegemonia capaz de enfrentar e superar com êxito os problemas estratégicos vividos pelo partido, mesmo porque há no interior desta “maioria” um evidente desacordo em torno de quais sejam estes problemas estratégicos, além daqueles que nem sequer colocam o problema nestes termos.

É neste cenário que a AE se movimenta, hoje.

 

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